Mulheres que conectam: Rompendo Barreiras e transformando a telecomunicação
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Mulheres que conectam: Rompendo Barreiras e transformando a telecomunicação

28 de outubro de 2026

Por: Alexandra Sklasky

Conectar pessoas sempre foi muito mais do que um negócio para mim. É um propósito.

Ao longo dos últimos 20 anos, tive o privilégio de acompanhar a evolução da telecomunicação brasileira de perto. Vi cidades serem conectadas, empresas crescerem, tecnologias se transformarem e, principalmente, vi mulheres conquistarem espaços que antes pareciam inalcançáveis.

Quando olho para trás, percebo que minha história na telecomunicação não começou como um plano de carreira. Na verdade, ela começou por acaso.

Meu caminho inicialmente seria outro. Eu pretendia seguir a área do licenciamento, mas tudo mudou quando tive contato com o universo dos computadores, da internet e da tecnologia. Foi uma descoberta fascinante. A possibilidade de conectar pessoas, resolver problemas e transformar realidades por meio da tecnologia despertou em mim uma paixão que permanece viva até hoje.

Em 2006, iniciei minha trajetória no setor de telecomunicações. Na época, comecei na área comercial de uma empresa ainda pequena, onde cada pessoa desempenhava múltiplas funções e ajudava a construir o negócio diariamente. Com o crescimento da empresa, vieram novos desafios, novas responsabilidades e também novas oportunidades.

Hoje, após duas décadas de atuação, faço parte da sociedade da empresa e atuo como Diretora Administrativa, liderando áreas como Recursos Humanos, Jurídico, Financeiro e Controladoria. Minha trajetória profissional foi sendo construída de forma muito natural. Enquanto meu sócio possuía um perfil mais técnico, encontrei meu espaço na gestão, na estratégia e, principalmente, no desenvolvimento das pessoas.

Mas a jornada não foi isenta de desafios.

Com o passar dos anos, fui percebendo que o setor de tecnologia e telecomunicações era predominantemente masculino. Em muitos momentos, clientes que buscavam adquirir computadores ou contratar serviços de internet preferiam falar diretamente com meu sócio. Havia uma crença implícita de que eu não teria o conhecimento necessário para explicar aspectos técnicos ou compreender determinadas demandas.

Confesso que, no início, isso foi impactante. Não porque eu duvidasse da minha capacidade, mas porque percebi que precisaria demonstrá-la constantemente. Enquanto muitos profissionais eram naturalmente reconhecidos por sua competência, eu sentia que precisava prová-la repetidas vezes.

Os eventos do setor também evidenciavam essa realidade. Era comum encontrar poucas mulheres ocupando posições técnicas ou estratégicas. Muitas vezes, as perguntas direcionadas a nós não eram sobre nossos projetos, nossas empresas ou nossas conquistas, mas sobre quem éramos esposas ou filhas. Como se nossa presença naquele ambiente precisasse ser explicada por alguém.

Também vivi situações em que fui interrompida em reuniões ou tive minhas contribuições inicialmente desconsideradas. Felizmente, encontrei ao longo da minha caminhada, profissionais que reconheceram meu trabalho e ajudaram a construir ambientes mais inclusivos. Essas experiências fizeram toda a diferença para que eu permanecesse firme no meu propósito.

Houve momentos em que pensei em desistir. Os desafios eram muitos e nem sempre era fácil lidar com resistências, preconceitos velados ou até mesmo com o ciúme profissional de algumas pessoas. Mas, em vez de desistir, escolhi crescer.

Foi nesse processo que encontrei uma das minhas maiores fortalezas: a gestão de pessoas.

Percebi que poderia contribuir de maneira significativa desenvolvendo equipes, fortalecendo a cultura organizacional e criando ambientes onde as pessoas pudessem crescer e alcançar seu potencial. Ao longo dos anos, aprendi que homens e mulheres podem ter estilos diferentes de liderança, mas que essas diferenças não devem ser vistas como limitações. Pelo contrário: elas se complementam e tornam as organizações mais fortes.

Durante muito tempo, acreditei que precisava me adaptar a um modelo de liderança predominantemente masculino para ser respeitada. Com o tempo, descobri algo muito mais importante: a verdadeira liderança não nasce da imitação, mas da autenticidade.

Entendi que minhas características, minha forma de liderar e minha visão de mundo não eram obstáculos. Eram justamente parte da minha força.

Acredito que empresas que valorizam a diversidade e o olhar feminino possuem uma vantagem competitiva importante. Equipes diversas tomam decisões mais equilibradas, compreendem melhor seus clientes e constroem soluções mais inovadoras.

Felizmente, o mercado vem mudando.